E quando chega a seca à Amazônia?

Sanear Amazônia prevê abastecimento complementar  de água em reservas extrativistas para períodos de pouca chuva na Amazônia
Vários estudos foram realizados sobre o histórico de secas na Amazônia com o objetivo de traçar previsões sobre clima da região. O resultado é uma perspectiva já conhecida e nada animadora  para os  próximos anos. O Sanear Amazônia busca amenizar as consequências dos períodos de estiagem mais severos através da tecnologia social de acesso à água, que é composta também por reservatórios hídricos comunitários acionados para garantir o consumo de 50L/pessoa diariamente nas comunidades beneficiadas.

Os fatores que alteram o clima da região são diversos, mas principalmente os provocados pela ação humana, como queimadas e desmatamento, contribuem para maior probabilidade de longos períodos de estiagem. De acordo com pesquisa de Paul Baker, professor da Universidade de Duke, o aquecimento global também causa agravamento de eventos de El Niño, que este ano provoca altas temperaturas na região Norte do Brasil. A tendência é que o clima na região fique mais seco e a temperatura sofra aumentos de 6 a 8ºC.
Já a pesquisa do climatologista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), realizada em 2011, ao observar o histórico de chuvas na Amazônia, concluiu que as fortes variações culminaram em secas severas como ocorreram nos anos de 2005 e 2010. “Extremos climáticos de chuva, temperatura e vento podem ter um impacto importante na vida das pessoas”, explica o climatologista. Ainda segundo o estudo, a região amazônica, por sua grande extensão territorial, possui climas diferenciados: “De norte a sul, observa-se uma grande variabilidade espacial e temporal da precipitação, na qual os eventos extremos de secas ou enchentes trazem consequências socioeconômicas importantes para vários setores da sociedade (agricultura, transportes, recursos hídricos, saúde, habitação)”.
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Apesar de fazer parte da maior bacia hidrográfica do planeta, a Amazônia não está livre da seca. Em 2010, 38 dos 62 municípios do Amazonas decretaram situação de emergência, de acordo com informações da Defesa Civil do Estado. Foram mais de 62 mil famílias afetadas pela estiagem e pelo baixo nível dos rios. O número de árvores e animais mortos foi alto, tornando o cenário desolador. Para os moradores das localidades atingidas pela seca em 2010 os prejuízos foram incontáveis.
A partir desse histórico sobre os períodos de estiagem na região, o Sanear Amazônia prevê, desde a concepção do projeto, um sistema que capta e reserva água pluvial, além de tratar e distribuir água de outras fontes como lagos e igarapés. Assim, o Sanear Amazônia se consolida como política pública de sucesso na região Norte que compreende a maior parte da extensão territorial amazônica.
A participação social dos moradores das reservas extrativistas onde estão sendo construídas as tecnologias sociais de acesso à água do Sanear Amazônia é importante no sentido de trazer à tona novamente situações vividas em períodos de seca. Para minimizar os prejuízos da falta de chuva, a tecnologia construída conta com um módulo comunitário complementar de abastecimento de água acionado em ocasiões de escassez pluviométrica, de forma a disponibilizar um nível de acesso à água para o consumo humano em quantidade, qualidade e acessibilidade (50 L/pessoa.dia na estação chuvosa e 20 L/pessoa.dia na estação seca) que garanta um alto grau de beneficio a saúde, bem estar e privacidade para famílias beneficiadas.
O Sistema de Acesso à Água Pluvial Comunitário é composto por reservatórios de 5 mil litros, tratamento simplificado e rede de distribuição aos módulos familiares

O Sistema de Acesso à Água Pluvial Comunitário é composto por reservatórios de 5 mil litros, tratamento simplificado e rede de distribuição aos módulos familiares

A tecnologia social de acesso à água é, atualmente, implementada pelo Memorial Chico Mendes no Amazonas, Acre, Amapá e Pará através do Sanear Amazônia, com financiamento do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS. O objetivo é beneficiar diretamente 2.800 famílias extrativistas com a construção do sistema e mais de 8.000 famílias impactadas indiretamente por meio da replicação das melhores práticas de higiene e cuidado com a água adotadas ao longo do desenvolvimento do projeto.

 

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