Famílias extrativistas de Manicoré recebem Sanear Amazônia

O programa está em fase de conclusão e irá beneficiar noventa famílias comunitárias da reserva extrativista Lago Capanã Grande

Em fase de finalização, o programa capacitou comunitários para execução de parte das obras / Foto: Clodoaldo Pontes

Quase cem famílias de comunidades de reserva extrativista do município de Manicoré, distante 332 Km de  Manaus, irão receber tecnologias sociais de acesso à água potável e saneamento através do programa Sanear Amazônia. As obras estão em fase de finalização com entrega prevista na segunda quinzena de julho deste ano. O programa recebeu prêmio de melhor tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil e apresenta resultados positivos de diminuição de parasitoses e mortalidade infantil no norte do país.

Roziane Moura é assistente social da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), entidade executora do programa nas comunidades de Manicoré e responsável pela capacitação e análise socioeconômica das famílias atendidas. Ela explica que, para receber as tecnologias, existem condicionalidades socioeconômicas. “As famílias participantes do programa não podem ter renda superior a meio salário mínimo per capita e devem possuir o cadastramento do Número de Identificação Social  (NIS) do Governo Federal para inclusão em programas sociais. Também contamos com o apoio dos técnicos do ICMBio e é uma ajuda muito bem vinda, durante a construção todos trabalhamos juntos”.

Após a chegada do material para início das obras, a comunidade se mobiliza no descarregamento / Foto: Clodoaldo Pontes

A assistente social explica o processo de capacitação de mão de obra. “Foram 4 dias de curso oferecido pela Asproc para que os comunitários estivessem aptos a trabalhar na construção dos banheiros e demais obras necessárias para instalação das tecnologias. Fazemos também uma capacitação em gestão de água onde tratamos de temas como lixo, manejo, criação de animais, higiene dos banheiros, saneamento, práticas de limpeza comunitária que evitam a contaminação dos solos e das águas e tiramos as dúvidas sobre o funcionamento das tecnologias. É nesse momento também que apresentamos o Sanear Amazônia e as entidades parceiras que  o executam”, disse.

Para o gestor ambiental e técnico do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Victo Paoleschi que atua em Manicoré o programa é positivo para as famílias. “Eu já conhecia o programa Sanear através da atuação do CNS, e o ICMBio busca sempre apoiar de alguma forma nas ações. O programa é essencial para as famílias já que o acesso à água potável é limitado e com a instalação dos poços o acesso ficou mais fácil e a água de melhor qualidade. A construção dos banheiros também é importantíssima, tanto para a privacidade e quanto para as condições de salubridade dessas pessoas”, contou.

Victor também faz o acompanhamento do processo de construção. “Madeira da reserva é usada, então é importante o acompanhamento para retirada adequada”, disse.

Etapa de construção dos banheiros / Foto: Clodoaldo Pontes

Participação social e cidadania

Um fator determinante para a seleção das comunidades beneficiadas pelo Sanear Amazônia é a organização comunitária. “Já existia um trabalho do CNS no local, apoiando a organização das associações e oferecendo cursos de capacitação de artesanatos e doces. Então a comunidade foi muito participativa, todos desejavam essa conquista”, contou.

Sobre a receptividade dos comunitários com o programa,  Sílvia Batista extrativista e diretora do CNS relata que é comum haver desconfiança em um primeiro contato com os moradores. “Durante a etapa de capacitação, percebemos que eles ainda não estão certos de que o projeto  realmente será feito. Eles só acreditam quando o material chega nas balsas pois já foram enganados com promessas políticas”, contou.

Sanear Amazônia

Iniciado como projeto, o Sanear Amazônia foi desenvolvido em comunidades do Médio Juruá, no Amazonas em 2009. A tecnologia social é composta de um kit para captação e distribuição de água potável, banheiro com sanitário e esgoto. “É um programa bastante completo. “Diversas vezes, projetos implementados pelos nossos governantes não são pensados a longo prazo, são ações que ficam reféns de uma determinada gestão, que, após encerrada leva consigo seus benefícios”, disse Joaquim Belo presidente do CNS.São dois sistemas de captação de água, o “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e o “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”. No comunitário é captada água da chuva, de poços e dos rios que são tratadas no interior da tecnologia e se tornam potáveis. No sistema autônomo a captação é feita apenas da água das chuvas. Em comunidades com cinco a seis famílias é implementado o sistema comunitário, em um número maior é utilizado o sistema autônomo.

Programa premiado

O programa ficou em primeiro lugar no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária em 2015, onde concorreu com outras 154 práticas em seis categorias. O programa é parte de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e o Memorial Chico Mendes.

O material é transportado em uma balsa até a comunidade / Foto: Clodoaldo Pontes

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