Reserva Extrativista do Alto Juruá

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CARACTERÍSTICAS GERAIS

A Reserva Extrativista do Alto Juruá está localizada no extremo oeste do Estado do Acre e do Brasil, abrangendo os municípios de Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Tarauacá, no Estado do Acre. Seus habitantes são seringueiros descendentes de famílias que migraram do Nordeste para o Acre durante a época ad expansão da borracha, a partir de 1890. Vivem na Reserva cerca de 7500 moradores que se caracterizam pela forma tradicional de uso do território e de seus recursos naturais. Na área de amortização da Resex vivem 500 pessoas com as mesmas características tradicionais e cerca de 7000 moradores não tradicionais, assim como 1500 indígenas. Ao longo do último século a população local tem se ocupado com atividades de subsistência (agricultura, caça, pesca, e artesanato) e com atividades comerciais (borracha). Com o declínio do comércio da borracha na década de 1980 a agricultura passou a ser a principal fonte de renda.

A Reserva faz fronteira ao sul com o Peru e, na mesma bacia hidrográfica com áreas indígenas, sendo a oeste com a tribo Kampa do Rio Amônea, ao norte com a tribo Jaminawa-Arara, ao sul com a tribo Kampa do Rio Breu e Kaximinaua e a leste com a tribo Kaximinaua, todas em território brasileiro. Por possuir uma área contínua com o PARNA da Serra do Divisor e com quatro áreas indígenas, exerce um papel de proteção para as áreas vizinhas.

O acesso à área da Reserva pode ser por via aérea, saindo de Cruzeiro do Sul até o município de Thaumaturgo de Azevedo, ou de barco, também partindo de Cruzeiro do Sul, pelo rio Juruá, viagem que poderá durar de três a quatro dias de barco comum, ou um dia de barco do tipo “voadeira”.

localidades 2000

Colocações de moradores na Reserva Extrativista do Alto Juruá.

Fonte: IBAMA Cruzeiro do Sul.

ASPECTOS FÍSICOS E BIOLÓGICOS

A área da Reserva Extrativista do Alto Juruá está inserida em um bioma que apresenta, macro-ecologicamente, pelo menos quatro tipos de florestas tropicais de terra firme, jamais inundadas, sendo uma com cobertura vegetal densa e a outra aberta. Os outros dois tipos de florestas estão ligados à rede hidrográfica: a floresta tropical aluvial inundada periodicamente e a floresta tropical de terraços, além de outras formações menos expressivas.

Os ritmos ecológicos da região são muito marcados pelas chuvas que apresentam total anual acima dos 2.200 mm, sendo os meses de dezembro, janeiro e fevereiro o trimestre mais chuvoso e junho, julho e agosto o mais seco. A umidade relativa do ar, média anual, está acima de 85%. As temperaturas médias também decrescem entre junho e agosto e as médias anuais são relativamente baixas em termos de Amazônia, situando-se por todo o ano abaixo de 25 C, com máxima absoluta de 38 C e mínima absoluta abaixo dos 8 C. A insolação média anual é ligeiramente inferior a 1.800 horas.

VEGETAÇÃO
Composta de florestas tropicais aberta e densa, características da sub-região dos baixos platôs amazônicos, e tabocal. Há alta diversidade de palmeiras e cipós.

FAUNA
Alta diversidade de primatas (16 espécies). mamíferos (130 espécies), destacando-se onça pintada, onça parda, ariranha, lontra, anta, veados, peixe boi, e queixada. anfíbios (84 espécies). peixes (115 espécies (em apenas 3 coletas)). aves (527 espécies), destacando-se mutum, araras, papagaios, garça, e gavião real. entre os répteis destacam-se jacaretinga, e jacaré açu. (Fonte: IBAMA – www.ibama.gov.br. Acesso: jul/2008).

RELEVO
O tipo de relevo é dominantemente colinoso com declives variando de 3% a 20%, e densidade de drenagem alta a muito alta. A fisiografia da região é marcada por um relevo rebaixado e ondulado. As diferenças geomorfológicas podem ser representadas por duas unidades distintas: a primeira representando um relevo dissecado, marcado pelo predomínio dos processos erosivos atuantes sobre a Formação Solimões (Depressão Rio Acre – Rio Branco) e a segunda correspondendo às formas deposicionais caracterizada pelas planícies aluvionares e terraços da nova ”bacia de sedimentação” (Bacia Hidrográfica do Juruá).

SOLO
A Reserva Extrativista do Alto Juruá apresenta nas áreas de relevo suave ondulado a ondulado os solos classificados na região como barro vermelho, que são os Podzólicos Vermelho Amarelo. Nas áreas de relevo ondulado a forte ondulado estão os solos do tipo areiúsco e o barro preto rachador (que são os Cambissolos e Brunizens, respectivamente) e nas baixadas do Rio Juruá, Tejo e de seus afluentes ocorrem o barro branco e a areia de várzea (classificados tecnicamente como Gleis e Solos Aluviais ).

GEOLOGIA
A área da Reserva Extrativista do Alto Juruá é constituída principalmente por uma unidade geológica: a Formação Solimões. Fazem parte ainda deste cenário geológico os Aluviões Holocênicos, sedimentos inconsolidados aluvionares dos terraços e das planícies de inundação relacionadas à rede hidrográfica. A Formação Solimões é descrita com abundância de dados sobre o Alto Rio Juruá (no trecho Cruzeiro do Sul – Foz do Breu) por RADAMBRASIL (1977, pp. 48-54); sobre os Aluviões Holocênicas, ver RADAMBRASIL (1977, p. 54). Uma nova síntese dos dados geológicos foi elaborada pela divisão de geologia do IBGE e publicada em 1994 (IBGE e IPEA 1994). O Projeto de Pesquisa e Monitoramento – USP/UNICAMP realizou estudos geológicos e geomorfológicos de 1994 a 1996.

Fontes: Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. www.mma.gov.br. Última atualização: 22/10/2014. Acesso em: 02/10/2015. Instituto Socioambiental http://uc.socioambiental.org/uc/177. Acesso em 02/10/2015.

REFERÊNCIAS SOBRE A RESEX DO ALTO JURUÁ

Seu Toinho e Seu Amauri contam um pouco da história da Resex Alto Juruá.
https://www.youtube.com/watch?v=GcXTewIypq0

Vozes da Floresta
https://vozesdafloresta.wordpress.com/downloads/

ALMEIDA, M.W.B. Direitos à floresta e ambientalismo: seringueiros e suas lutas.
Revista Brasileira de Ciências Sociais – Vol. 19 Nº. 55 junho/2004.
https://mwba.files.wordpress.com/2010/06/2004-almeida-direitos-a-floresta-e-ambientalismo-revista-bcs.pdf

ANDRADE, A. A. L. G. de. Artesãos da floresta – população tradicional e inovação tecnológica: o caso do “couro vegetal” na Reserva Extrativista do Alto Juruá, Acre. Dissertação de Mestrado. Unicamp, 2003.

CARNEIRO DA CUNHA, M. & Mauro W. B. Almeida. RESEX Alto Juruá: a conservação adquire sentido local.
http://uc.socioambiental.org/uso-sustent%C3%A1vel/resex-alto-juru%C3%A1-a-conserva%C3%A7%C3%A3o-adquire-sentido-local

COSTA, E.M.L. Da Patronagem à Associação: poderes em disputa na Reserva Extrativista do Alto Juruá, Acre. Dissertação de Mestrado em Sociologia, Campinas: Unicamp, 1998.

COSTA, E.M.L. Uma floresta politizada: relações políticas na Reserva Extrativista do Alto Juruá, Acre (1994-2002). Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Unicamp, 2010.

REZENDE, R. Das Colocações à Vila: processos de urbanização no Alto Rio Tejo, Acre. Dissertação de Mestrado em Antropologia Social, IFCH/Unicamp, 2010.

POSTIGO A. A. Gestão democrática na Reserva Extrativista do Alto Juruá: a construção de uma nova cultura política. Instituto de filosofia e Ciências Humanas, Unicamp. 1999.

REZENDE, R. S. Dinâmicas sociais e sociabilidade na Amazônia: o caso da Reserva Extrativista do Alto Juruá, Acre. IFCH/Unicamp, 2010.

FREITAS, J.da S. Efeitos da intervenção governamental na reserva extrativista do Alto Juruá no período 1990 a 2010: identificação dos pontos fortes e fracos. Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento Regional, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2012.

LANDMANN, R.D. V. “A Alagação Ofende”: A invisibilidade de um desastre relacionado às cheias atípicas na Resex Alto Juruá, Acre. Escola de Engenharia de São Carlos. Ciências da Engenharia Ambiental, 2014.